sábado, 22 de março de 2014

PRESSURIZAÇÃO A BORDO DE AERONAVES


O que é pressurização?

Pressurização é impor pressão (pressurizar) a um ambiente fechado. Para ocorrer a pressurização tem que haver vedação. É a forma de igualar pressões, no meio líquido ou gasoso. Ambientes fechados e pressurizados possibilitam o funcionamento de máquinas, quando o ambiente externo é adverso. Um exemplo disto é um avião a uma grande altitude. Aviões, como os caças, tem a cabine pressurizada.

Uma cabine de avião é pressurizada para que se possa respirar dentro, quando a altitude é muito alta e por isso o ar é muito rarefeito. A despressurização acontece quando a cabine perde a vedação, como a pressão interna é maior que a externa, a cabine perde atmosferas até igualar a pressão.


Como funciona a pressurização em um avião?

O avião possui um sistema de compressores para bombear ar para dentro da cabine. A pressurização obedece a um programa pré-determinado e é mantida através de dispositivos, sensores de pressão e válvulas reguladoras, que se abrem para aliviar a pressão interna, uma vez que esta é sempre mantida mais alta que a externa, já a partir do solo. Porém a diferença de pressão é menor à medida que a altitude aumenta, para que nunca haja um excesso de pressão dentro da cabine. Na realidade a pressão inicial, quando o avião esta no solo, é maior que a normal. À medida que o avião sobe a pressão interna vai diminuindo em relação à pressão normal no solo. Se a pressão da cabine fosse mantida sempre igual a do solo, em altitudes muito grandes, esta diferença de pressão seria perigosa.

O Sistema de pressurização tem se tornado cada vez mais usual em aeronaves de grande porte, comerciais ou militares. A utilização de ar pressurizado em aeronaves proporciona as seguintes vantagens: aumento de conforto dos passageiros e da tripulação, ruído minimizado pelo revestimento de pressurização, economia de combustível por possibilidade de voo em maiores altitudes e possibilidade de voo em melhores condições atmosféricas, graças a grandes altitudes.

A pressurização não é simplesmente o ato de confinar ar a determinada pressão dentro da fuselagem. Deve-se ter renovação constante deste ar. O sistema de ar condicionado deve, então, insuflar ar pressurizado para o interior do avião. 

O sistema de pressurização se baseia em alguns componentes fundamentais:
Fuselagem; Válvula de descarga (controle de pressão); Controlador de vazão.

A fuselagem da aeronave é projetada para suportar pressões no sentido de dentro para fora. É por isso que nos momentos críticos de voo - decolagem e pouso - ela fica levemente pressurizada garantindo que o sentido da pressão não se inverta e fique de fora para dentro. No entanto, a diferença entre a pressão interna e externa não deve exceder o limite de aproximadamente 7,5 a 8 psi (dependendo do tipo de aeronave) por questões estruturais. A pressão é regulada em tempo real enquanto o avião realiza todo o seu voo, mantendo sempre os requisitos estruturais e de conforto humano.

Sabe-se que o interior da aeronave deve ficar corretamente pressurizado. A pressão é obtida através do insuflamento do ar condicionado. Mas, então, como a pressão é controlada? A resposta é simples: pela válvula de descarga. A válvula de descarga, que nos modernos sistemas é controlada por um computador, deixa escapar a quantidade certa de ar de modo que a pressão da cabine fique no valor desejado.


A qualidade do ar a bordo de aeronaves

As condições atmosféricas aos níveis de altitude em que decorre a quase totalidade dos voos comerciais tornam obrigatória a existência, no interior das cabines dos aviões, de um ambiente artificial, através do recurso de sistemas de condicionamento do ar. Estes parâmetros são totalmente controlados por sistemas de ar condicionado e a qualidade de ar disponível na cabine dos aviões comerciais, para passageiros e aeronautas, tem constituído tema de diversos estudos de organizações como a  Organização Mundial da Saúde (OMS), a ICAO (International Civil Aviation Organization) através da respectiva Secção de Medicina Aeronáutica, a IAPA (International Airline Passenger Association), a Federação Internacional de Trabalhadores dos Transportes (ITWF - International Transport Workers Federation) e a AMDA (Airline Medical Directors Association).

Até final dos anos oitenta, a quantidade de “ar novo” por passageiro era de cerca de 400 a 600 litros/pessoa/minuto. A aviação moderna obrigou a uma redução para 150 a 180 litros, ainda que, por recurso a um processo complementar de recirculação, a quantidade global de ar fornecido per capita se mantenha inalterada (HARDING; MILLS, 1993).

Na presente data não existe consenso entre as diversas organizações internacionais quanto à quantidade de ar que deve ser fornecida a cada indivíduo no interior de uma cabine de avião.

Assim, para a JAA (Joint Aviation Administration, EUA) o valor recomendado cifra-se em 7,3 cfpm (200 l/min), ao passo que a FAR (Federal Aviation Regulation, EUA) fixou esse valor em 10 cfpm (280 L/min) e a ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers) — tendo em conta que a quantidade de ar per capita depende da atividade física desenvolvida — recomenda os valores mínimos de 15 cfpm para situações de repouso e de 20 cfpm para situações de actividade física ligeira.  De um modo geral, na aviação comercial (classe turística), o fluxo de ar é da ordem de 7 cfpm (BALLOUET, 1996).

A monitorização permanente de vários parâmetros “de qualidade do ar interior” (temperatura, humidade relativa, partículas, dióxido de carbono, oxigénio, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, monóxido de azoto, dióxido de azoto e sulfureto de hidrogénio) feita por diversas organizações revela que, globalmente, nas cabines de avião estudadas, tais parâmetros se situam em valores que não excedem as respectivas concentrações máximas admissíveis e que, em alguns casos, respeitam mesmo as recomendações da ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers).

Dos parâmetros "de qualidade do ar interior" avaliados, a humidade relativa foi aquele cujos teores mais se afastaram dos valores recomendados. Este resultado encontra-se, por certo, relacionado com a secura do ar exterior e, por outro lado, com a elevada taxa de renovação do ar interior. 


Efeitos no corpo humano (alguns exemplos)

Um dos efeitos das condições atmosféricas à bordo das aeronaves no corpo humano pode ser a ocorrência de hipóxia, que significa baixo teor (concentração) de oxigênio. Trata-se de um estado de baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos e pode ser causada por uma alteração em qualquer mecanismo de transporte de oxigênio, desde uma obstrução física do fluxo sanguíneo em qualquer nível da circulação corpórea, anemia ou deslocamento para áreas com concentrações baixas de oxigênio no ar. São os seguintes os sintomas apresentados:

l  Sonolência
l  Dor de cabeça
l  Alteração no julgamento
l  Tontura
l  Alterações visuais
l  Cianose
l  Hilaridade
l  Euforia
l  Espasmos musculares
l  Convulsões
l  Inconsciência
l  Morte
l   


Outros efeitos

É comprovado que 1 em cada 3 passageiros sofre um desconforto nos ouvidos por causa da diferença de pressão atmosférica, principalmente nas subidas e descidas. Pode ocorrer dor e a perda de temporária da audição em alguns casos. As mudanças rápidas na pressão fazem com que o ”bolso” de ar formado dentro do ouvido se expanda durante a decolagem e contraia-se durante a descida. Para igualar a pressão, é sugerida uma pequena pressão tapando as narinas com os dedos ao mesmo tempo em que se tenta expirar pelo nariz, forçando a saída do ar. Por outro lado, se a pessoa está com um congestionamento sério, há o risco de lesão nos canais auriculares.

Essa expansão do ar no organismo humano pode também causar desconfortos na região abdominal (gases intestinais), bem como, problemas de dor de dente quando houver cáries ou problemas de canal.

Pessoas que passaram por cirurgias recentes são recomendadas não voar, exceto se há autorização médica.

Por tudo que foi exposto acima, é importante voar em condições físicas satisfatórias. Caso você esteja resfriado ou não esteja se sentindo bem, consulte seu médico antes de voar. Lembre-se que qualquer alteração física pode prejudicar suas atitudes e seus reflexos.


VOE COM SEGURANÇA!


Andréa Salgado
Equipe Segurança da Aviação Civil



Fontes:

br.answers.yahoo.com/
fernandes-aerobrasil.blogspot.com
br.answers.yahoo.com/
pt.wikipedia.org/wiki/Pressurização
www.ensp.unl.pt



6 comentários:

  1. Em grandes altitudes não há oxigênio no ar, então como é feita a pressurização da cabine? É feita alguma injeção complementar de oxigênio?

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    1. Na verdade narcmen, o oxigênio existe, só que em pequena densidade. Há um compressor que resolve esse problema, tanto para a pressurização, quanto para o motor. Mas, é claro que há uma certa altitude que a performance do avião em geral não suporta, pois o ar é tão rarefeito que a reação aerodinâmica não mantêm a asa ''funcionando'', nem o compressor dá conta do recado. É o chamado teto absoluto. O avião consome pouco lá em cima, por ter pouco ar, o que significa pouco arrasto(atrito).

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Qual a importância da pressão atmosférica conforme a diferença da altitude ?

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  3. Boa noite, meu filho de 14 anos operou de traumatismo craniano severo em 08/02/2017. Ele pode viajar ou não deve? Obg

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  4. Pessoas com anemia falciforme pode viajar em aviões, visto que a falta de oxigênio pode desencadear crises de falcizaçoes?

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